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DRE para salão de beleza: quanto sobrou de verdade no mês

Faturou bem e o dinheiro some? Veja como montar a DRE do salão em seis linhas, com exemplo de conta, e descobrir o lucro e o faturamento mínimo do mês.

Capa do artigo sobre DRE para salão de beleza, com gráfico de indicadores

Novembro está acabando e a pergunta de todo dono de salão é a mesma: o mês foi bom? A agenda lotou, o caixa girou, mas na hora de pagar as contas o dinheiro parece menor do que deveria. Faturamento não é lucro. Quem mostra a diferença é a DRE, a Demonstração do Resultado do Exercício, que a Comunidade Sebrae apresenta em sua série para salões como o relatório que diz se o faturamento do mês cobriu todos os custos e se o negócio fechou com lucro ou prejuízo.

O nome assusta, mas a conta cabe em uma folha. Neste artigo você vai montar a sua em seis linhas, ver um exemplo com números e descobrir quanto o salão precisa faturar por mês para não ter prejuízo.

Faturamento, caixa e lucro não são a mesma coisa

Muita gente olha só o que entrou na maquininha e no Pix. Mas dinheiro que entrou ainda precisa pagar comissão, produto, taxa do cartão, imposto, aluguel e a sua própria retirada. O que sobra depois disso é o lucro.

Se você já sente que o dinheiro escapa, vale ler também onde o salão de beleza perde dinheiro. A DRE é a ferramenta que mostra o tamanho de cada vazamento.

As seis linhas da DRE do salão

A estrutura que o Sebrae usa para salões tem receita, custos variáveis, margem de contribuição, custos fixos e resultado. Aqui ela fica assim:

  1. Receita: tudo que o salão vendeu no mês, em serviços e produtos.
  2. Custos variáveis: o que cresce junto com as vendas. Comissão da equipe, produtos usados no serviço, taxa de cartão e impostos sobre o faturamento.
  3. Margem de contribuição: receita menos custos variáveis. É o que sobra para pagar a estrutura e, depois, gerar lucro.
  4. Custos fixos: o que você paga mesmo se não atender ninguém. Aluguel, água, luz, internet, contador, sistema, marketing.
  5. Retirada do dono (pró-labore): o seu salário. Trate como custo, não como sobra.
  6. Resultado: margem de contribuição menos custos fixos e retirada. Positivo é lucro, negativo é prejuízo.

Uma dica do próprio Sebrae em outro artigo sobre o tema: na dúvida, classifique o custo como fixo. Assim você não subestima o que precisa pagar todo mês.

Exemplo de conta (números inventados, só para ilustrar)

Imagine um salão que faturou R$ 30.000 no mês. Estes valores são um exemplo, não uma média do mercado. Troque pelos seus.

Linha Valor % da receita
Receita do mês R$ 30.000 100%
Comissões da equipe R$ 12.000 40%
Produtos usados nos serviços R$ 3.000 10%
Taxa de cartão R$ 900 3%
Impostos R$ 1.800 6%
Total de custos variáveis R$ 17.700 59%
Margem de contribuição R$ 12.300 41%
Aluguel R$ 3.000 10%
Água, luz e internet R$ 900 3%
Contador e sistema R$ 700 2,3%
Marketing R$ 700 2,3%
Limpeza e outros R$ 200 0,7%
Retirada do dono R$ 3.000 10%
Total de custos fixos e retirada R$ 8.500 28,3%
Resultado do mês R$ 3.800 12,7%

O salão do exemplo faturou R$ 30.000 e sobrou R$ 3.800 depois de pagar tudo, inclusive a retirada de R$ 3.000 do dono. Quem olhasse só o faturamento acharia que sobraram mais de R$ 12.000.

Quanto faturar para não ter prejuízo

Com a DRE você calcula o ponto de equilíbrio: o faturamento em que o resultado é zero. A conta é simples:

Custos fixos e retirada ÷ percentual da margem de contribuição

No exemplo: R$ 8.500 ÷ 0,41 = cerca de R$ 20.732 por mês. Abaixo disso o salão perde dinheiro. Acima disso, cada real a mais deixa 41 centavos de sobra, até aparecer um novo custo fixo.

Isso muda decisões do dia a dia. Antes de alugar uma sala maior ou contratar mais uma profissional, pergunte quanto o faturamento precisa subir para pagar o novo custo fixo. No exemplo, uma despesa nova de R$ 1.000 por mês exige cerca de R$ 2.440 a mais de faturamento (R$ 1.000 ÷ 0,41).

Onde a DRE costuma assustar

Três linhas costumam revelar surpresas:

  • Comissão alta demais. Se ela passa de metade da receita, sobra pouco para a estrutura. Revise a regra de comissão e o preço dos serviços.
  • Produto sem controle. Tinta, descoloração e tratamentos que saem da prateleira sem medida inflam a linha de produtos.
  • Retirada misturada com o caixa. Se o dono tira dinheiro conforme a necessidade, o lucro some sem ninguém ver. Defina um valor fixo.

Se o problema for o preço, o raciocínio é o mesmo de como calcular o preço dos serviços de manicure: some todos os custos do serviço e só depois decida o valor.

Checklist de fim de mês

  1. Feche o mês: confira se todas as vendas e despesas foram lançadas.
  2. Separe os custos em variáveis e fixos.
  3. Calcule a margem de contribuição e o resultado.
  4. Compare com o mês anterior, linha por linha.
  5. Calcule o ponto de equilíbrio com os custos fixos atuais.
  6. Escolha uma linha para melhorar no próximo mês e anote a meta.

Dezembro é o mês de maior movimento para muita gente. Para entrar nele com a casa em ordem, veja o checklist de fim de ano no salão e na barbearia.

Como o Hazie ajuda

Uma DRE só é confiável se as vendas e as despesas estiverem lançadas. O Hazie junta essas informações para você não depender de caderno e calculadora:

  • DRE e categorias mostra quanto sobrou de verdade no mês, para onde foi o dinheiro e quanto faturar para não ter prejuízo. A DRE é um recurso do Hazie Plus, e as categorias valem para todos os planos.
  • Contas a pagar organiza as despesas e os vencimentos, para os custos fixos entrarem na conta.
  • Fluxo de caixa é o extrato do caixa: quanto tem, o que entrou e o que saiu.
  • Comissões calcula o que cada profissional recebe, a maior linha de custo variável do salão.
  • Metas permite definir a meta do mês para a empresa e para cada colaborador e acompanhar o progresso.

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