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Telefisioterapia: como atender online dentro da regra

A Resolução COFFITO 619/2025 tornou o atendimento remoto permanente. Veja quando usar, o que registrar e como cobrar a sessão online na sua clínica.

Capa do artigo sobre telefisioterapia, com ícone de documento

Atender paciente por vídeo deixou de ser solução de pandemia. Desde 2025, o atendimento remoto de fisioterapia tem regra própria e permanente. Para quem tem clínica pequena ou atende sozinho, isso abre uma porta: acompanhar quem viajou, quem não consegue vir toda semana e quem está em recuperação e precisa de orientação entre uma sessão presencial e outra.

Mas "poder" não é o mesmo que "fazer de qualquer jeito". Neste artigo você vê o que a norma diz, o que precisa ficar registrado e como transformar a telefisioterapia em um serviço com preço e regra.

O que mudou: a Resolução COFFITO 619/2025

O COFFITO aprovou a Resolução nº 619 em 28 de maio de 2025. Segundo a publicação da ABMES, ela foi publicada no Diário Oficial em 9 de julho de 2025, revogou a Resolução 516/2020 (que valia durante a pandemia) e regulamenta de forma permanente a teleconsulta, o teleatendimento, o telemonitoramento e a teleconsultoria.

Pelo resumo do texto da resolução, os pontos que mais importam para o dono da clínica são:

  • o atendimento remoto é opcional e deve ser usado quando o presencial não for possível, desde que seja seguro e eficaz para a condição do paciente;
  • ele não substitui avaliação ou consulta presencial quando esta for indispensável ao diagnóstico, ao tratamento ou ao prognóstico;
  • é preciso ter o consentimento do paciente ou do responsável, com sigilo e privacidade;
  • o prontuário deve ser atualizado a cada atendimento, com as condutas e a evolução;
  • só pode atender o profissional inscrito no CREFITO da sua jurisdição. Quem atende em outro estado exclusivamente por telessaúde fica dispensado de inscrição secundária.

Este texto é um resumo para orientar a rotina. Para dúvida sobre um caso específico, confirme no site do COFFITO ou no seu CREFITO.

Quando faz sentido atender online

A norma pede bom senso clínico. Em geral, a sessão remota funciona melhor nestes casos, sempre a critério do fisioterapeuta:

  1. Retorno e acompanhamento: conferir se o paciente está fazendo os exercícios do jeito certo e ajustar a carga.
  2. Orientação ergonômica: revisar a posição de trabalho, a cadeira e a rotina de quem passa o dia sentado.
  3. Paciente fora da cidade: quem viajou ou mudou e não quer interromper o tratamento.
  4. Dias de impossibilidade: chuva forte, dor aguda que dificulta o deslocamento, filho doente.

E precisa de presencial: a primeira avaliação, em geral, e qualquer situação em que você precise tocar, testar ou medir algo que o vídeo não mostra. Se o presencial é indispensável, o online não entra no lugar dele.

Como cobrar a sessão online

Muita clínica cobra a sessão remota "por pena", mais barata, sem fazer a conta. Mas você gasta o mesmo tempo de agenda, preparo e registro. O que você economiza é sala e material.

Veja um exemplo de conta (valores inventados, só para ilustrar; troque pelos seus):

Item Sessão presencial Sessão online
Duração 50 minutos 40 minutos
Custo do minuto de atendimento (exemplo) R$ 2,40 R$ 2,40
Custo do tempo R$ 120,00 R$ 96,00
Sala e materiais (exemplo) R$ 15,00 R$ 0,00
Custo total R$ 135,00 R$ 96,00
Preço com margem de 30% (exemplo) R$ 175,50 R$ 124,80

Nesse exemplo, a sessão online pode custar menos que a presencial, mas não vira "grátis" nem metade do preço. Para chegar ao seu minuto de atendimento, use a conta do artigo Quanto cobrar pela sessão de fisioterapia.

Outra saída é vender o online dentro de um pacote: por exemplo, 8 sessões, sendo 6 presenciais e 2 de acompanhamento remoto. O paciente entende que o online faz parte do tratamento, e você mantém o valor. A lógica de validade e regra de falta é a mesma que explicamos em Pacote de sessões: como vender e controlar.

Checklist para atender online sem dor de cabeça

Antes da primeira sessão remota, confira:

  • O paciente já passou por avaliação presencial, ou você avaliou que o remoto é seguro para o caso dele?
  • O consentimento foi dado e ficou guardado?
  • O local do paciente tem privacidade? Peça que ele esteja sozinho ou avise quem está presente.
  • Você usa uma ferramenta de vídeo que você controla, e conversa sobre dados de saúde só em canal que proteja o sigilo?
  • Combinou com o paciente o que fazer se a conexão cair?
  • Existe uma regra de falta e cancelamento para a sessão online, igual à da presencial?
  • Você vai registrar a evolução logo depois da sessão, e não no fim da semana?

O ponto mais esquecido é o último. A norma exige o registro de cada atendimento. Sessão sem registro é sessão que você não consegue defender depois.

Mantenha a agenda e o prontuário no mesmo lugar

O risco da telefisioterapia é a bagunça: o horário combinado no WhatsApp, o link do vídeo em outro lugar, a evolução em um caderno. Com o tempo, ninguém acha nada.

Uma rotina simples resolve:

  1. Cadastre a sessão online como um serviço próprio, com duração e preço.
  2. Marque na agenda como qualquer outro atendimento.
  3. Envie a confirmação automática, para o paciente não esquecer.
  4. Ao terminar, abra a ficha e registre a evolução.
  5. Feche a venda ou desconte a sessão do pacote.

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